13 de set de 2012

A HISTÓRIA DO ROCK: capítulo II - do rockabilly à surf music: uma revolução na música



Como havíamos escrito anteriormente, o Rock and Roll surgiu entre os anos 40 e 50 nos EUA. O Blues estava em plena atividade e se fortalecendo comercialmente, a guitarra elétrica tornava-se a grande estrela e, se o Blues era o pai, a guitarra elétrica certamente era a mãe do Rock. Esse filho pródigo surgiu, berrando a plenos pulmões para o mundo que tinha chegado pra ficar e sacudiria todas as bases da cultura americana e mundial. Uma das primeiras aparições do termo Rock and Roll foi em 1937 na música Rock It For Me, gravada por Chick Webb e Ella Fitzgerald. Essa canção incluía o verso “So won’t you satisfy my soul with the rock and roll (Então você vai satisfazer a minha alma com o rock and roll)”, é preciso citar que a frase “rockin and rolling” era uma gíria negra que remete a dançar ou fazer sexo e apareceu pela primeira vez em 1922 numa canção de Trixie Smith, sendo assim ainda não tinha a conotação de estilo musical. Na cidade de Cleveland (Ohio), o discotecário (DJ da época) Alan Freed, em 1951, começou a tocar essa mistura para uma platéia multi-racial e, a ele, é creditada a primeira utilização da expressão Rock and Roll para descrever a música, o estilo musical. Apesar desse fato, a palavra Rock era usada como metáfora para os verbos “to shake up, to disturb ou to incite” que significam, respectivamente, sacudir, perturbar e incitar. Isso, nada mais é, do que o sentido mais puro do Rock and Roll: fazer a pessoa dançar, pensar e/ou se rebelar.

O Rock and Roll bebeu da fonte de diversos gêneros pra criar sua personalidade ímpar e definitiva, do Rhythm and Blues ao Country, passando pelo Gospel, Folk e o Blues elétrico. Um estilo de Blues em particular teve grande importância na sua estrutura, foi o Jump Blues que se desenvolveu principalmente na costa oeste americana e usava riffs de guitarra, batidas proeminentes e letras gritadas. Era época da segunda grande guerra mundial e as orquestras perdiam espaço para as bandas menores que usavam apenas baixo, guitarra, piano e bateria.

Por causa do processo evolucionário do Rock and Roll, não existe uma gravação específica considerada a primeira. Existem algumas delas concorrendo a esse posto, são elas: Rock Awhile de Goree Carter (1949), Rock the Joint de Jimmy Preston (1949) também gravada por Bill Haley & His Comets em 1952, Rocket 88 de Jackie Preston & His Delta Cats (na verdade era Ike Turner e sua banda The Kings of Rhythm) gravada por Sam Phillips em 1951 e a mais reconhecida pela maioria Rock Around The Clock de Bill Haley & His Comets em 1955. Mas acredito que o marco inicial foi That’s All Right (Mama) gravada por Elvis Presley em 1954. É fundamental citar Chuck Berry como um dos grandes mestres do Rock and Roll. Chuck Berry transcreveu para a guitarra, a linha básica de duas notas do piano do Jump Blues, criando o que é instantaneamente reconhecido ao se ouvir, como a guitarra rock e, além disso, gravou o solo com guitarra distorcida (usando um pequeno amplificador valvulado para obter esse efeito) na clássica Maybellene de 1955, feito esse de grande importância para o Rock até hoje. Contundo, entre os primeiros guitarristas a usar a distorção e os tão populares power chords estão Guitar Slim, Willie Johnson e Pat Hare, todos bluseiros. Muitos artistas tornaram-se lendas como pioneiros do Rock and Roll e estão entre eles, além dos citados acima: Bo Diddley, Fats Domino, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Gene Vincent, Carl Perkins, Buddy Holly, Johnny Cash e tantos outros.

O Rock and Roll atravessou as fronteiras dos EUA e aportou na Inglaterra através de filmes como Rock Around The Clock que alavancou Bill Haley ao estrelato e ao topo das paradas britânicas em 55 e 56. Alguns músicos tocavam, amadoramente, estilos influenciados pelo Rock and Roll americano, como o Skiffle ou a Beat Music. Paralelamente, músicos ingleses se dedicavam ao blues com acento britânico como Cyril Davies e Alexis Korner e criavam uma cena de Blues na Inglaterra que, mais tarde, geraria grandes estrelas como John Mayall, The Yardbirds e outros mais. A indústria britânica atenta a isso produzia cópias desses discos de Rock and Roll americano e em 1958 surgiu o primeiro ídolo do Rock and Roll britânico, Cliff Richard e as primeiras bandas começavam a proliferar no final dos anos 50 e início dos anos 60. Formas diferentes de Rock and Roll apareceram como o Doo Wop, que era basicamente grupos vocais cantando Rock and Roll, que influenciaram rapidamente outras formas musicais como a Surf Music ou Surf Rock, a Soul Music e, mais tarde, a Beat Music (similar britânico do Rock and Roll americano, incluindo aí The Beatles).

Em 1959, com a morte de Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper em um acidente de avião, Elvis no exército, os escândalos de Jerry Lee Lewis e Chuck Berry por se envolverem com menores adolescentes e Little Richard tornando-se pastor, o Rock and Roll fechava um ciclo e dava a impressão que iria sucumbir. Mas a Surf Music, nascida na Califórnia e que tinha nos temas vocais ou instrumentais sua grande força, mostrou um novo tipo de guitar hero na figura do lendário Dick Dale e deu uma vida nova ao Rock and Roll já não tão adolescente e artistas importantes e influentes para o Rock and Roll surgiram nesse estilo: Duane Eddy, Bel-Airs, The Chantays, The Trashmen, The Astronauts. Outro grande nome reverenciado até hoje é o do Beach Boys, provavelmente a maior banda de Surf Rock de todos os tempos e que gerou frutos para os anos vindouros.

Pra se ter uma idéia da importância do surgimento do Rock and Roll, anteriormente, a música era categorizada por raça, nacionalidade, localização, estilo, instrumentação, técnicas vocais e religião. A música nunca mais foi definida ou categorizada dessa forma. Com a popularidade e o sucesso comercial o Rock and Roll tornou-se de extrema importância para a indústria musical americana e, logo em seguida, para a indústria musical mundial. As inovações eram muitas na época. Por exemplo, o gravador multi-track (o primeiro se tratava de um gravador de 8 canais) surgiu em 1955, concebido e desenvolvido por Ross Snyder para a Ampex e comprado por um senhor chamado Les Paul (simplesmente o inventor da guitarra elétrica de corpo sólido, antes existiam as semi-acústicas, parecidas com violões) e usado para multiplicar os vocais e instrumentos (antes disso se gravava ao vivo em estéreo, se alguém errasse, tudo tinha que ser feito do princípio novamente). Também se desenvolveram os efeitos e as técnicas de tratamento eletrônico do som por pioneiros como o próprio Les Paul, Joe Meek e Phil Spector. A revolução havia não apenas começado como também se estabelecido.

Próximo capítulo: Rock e Blues Rock: A Invasão britânica.

Nenhum comentário: